

“Veio uma mulher de Samaria tirar água,
pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber.
Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a
mim que sou samaritana? (Pois os judeus não se comunicavam com os
samaritanos).
Respondeu-lhe Jesus: Se conheces o Dom de Deus e quem é que te
diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te
daria uma água viva.”
(João: 4, 7-10)
Pastoral da Mulher em Belo
Horizonte, teve seu início em março de 1982, quando, em reunião de
um “Encontro Vocacional” na Paróquia Nossa Senhora da Conceição,
as irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor – Ivoni Grando e
Encarnação - se dispuseram a trabalhar com as prostitutas de Belo
Horizonte.
Já naquela época, o então Pároco da referida
Igreja do Bairro Lagoinha – Vigário Padre Tadeu, tentava organizar
ali, um grupo de trabalho voltado para a especificidade daquela
região: a concentração de prostíbulos.
A disposição das irmãs Oblatas, somada à
iniciativa do Pároco, resultou na formação de uma equipe de
voluntários que iniciou suas atividades, ocupando-se das condições
básicas para o desenvolvimento do trabalho pastoral: busca de
conhecimento da realidade, amizade com as mulheres prostituídas e
contatos com instituições como a Legião Brasileira de Assistência
(LBA), a Maternidade Odete Valadares (MOV) e a Clínica Nossa
Senhora da Conceição.
Foi alugado um pequeno cômodo situado à rua
Paquequer, no Bairro da Lagoinha, com o objetivo de colocar a
equipe mais próxima das mulheres prostituídas. Embora difícil, a
caminhada foi marcada por muita reflexão, orações e diversas
visitas, encontros, intercâmbio com outros grupos, festas e outras
promoções.
A equipe passou a visitar e acompanhar as
mulheres, ouvindo as suas histórias e indo ao encontro delas, no
local onde elas se concentram e “batalham” (termo muito usado
pelas mulheres, em denominação ao exercício da prostituição). Os
agentes pastorais fizeram-se presentes ao lado das mulheres
envolvidas com a prostituição, compartilhando com elas os seus
sofrimentos e alegrias, acreditando na dignidade e no valor que
possuem como pessoas e filhas de Deus.
A equipe de agentes, sempre apoiada pelo então
Pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição e já respaldada pelo
Arcebispo Metropolitano,foi integrando-se às demais Pastorais
Sociais da Arquidiocese, passando a usar a denominação de Pastoral
da Mulher, como já era designada pela Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – e por todas as equipes
diocesanas.
No ano de 1986, a Pastoral se viu diante da
necessidade de alugar uma pequena casa, à rua Bonfim – mesma
região de concentração de prostíbulos – a fim de desenvolver, de
forma mais adequada, o trabalho pastoral. Em pouco tempo, porém,
com a crescente demanda das mulheres envolvidas com a
prostituição, foi necessário alugar uma outra casa à rua
Itapecerica, no Bairro Lagoinha, cujo aluguel era pago por dois
benfeitores.
Posteriormente, a Pastoral mudou-se para local
cedido pelo então Vigário da Paróquia, Virgílio Resi. As próprias
mulheres assistidas pela Pastoral batizaram o novo espaço de
Centro Comunitário “Nossa Casa”.
A Pastoral da Mulher iniciou-se,
aproximando-se das mulheres concentradas na região que envolve os
Bairros Bonfim e Lagoinha (mais precisamente, nas ruas Bonfim,
Abaeté, Gama, Caparaó, Arceburgo, Mariana, Jaguarão e Paquequer),
no Motel Monte Carlo e em vários outros situados nas proximidades
da Rodoviária, rua Guaicurus e adjacências, nos Hotéis
Maravilhoso, Magnífico, Aurora, Lírio, Nova América e Master e na
Praça da Estação – região central de Belo Horizonte.
Entre inúmeras dificuldades e avanços, a
Pastoral da Mulher foi conquistando crescente
aceitação entre as mulheres, além de grande capacidade de
articulação com grupos e movimentos afins, tanto da Igreja quanto
da sociedade civil.
No dia 24 de agosto de 1987, conforme Ata de
Constituição, foi formada, oficialmente, a Associação da Pastoral
da Mulher, com a designação da Irmã Maria Carmem
Rodriguez Ortiz para o cargo de Coordenadora da Associação; para
secretariar foi designada Arlete Maria de Fátima Ribeiro Campos;
para o cargo de Tesoureira foi designada Maria de Lourdes Faria
D’Ângelo. Compuseram o Conselho Fiscal Célia Rodrigues Chaves e
Maria da Conceição Assumpção.
Consta do Estatuto da Associação da Pastoral da
Mulher, que ela é uma associação civil sem fins
lucrativos com finalidade inteiramente voltada para a promoção da
libertação total das mulheres marginalizadas, especialmente as
prostitutas.
A Associação será dirigida por 1 Coordenador
(a), 1 Secretário (a), 1 Tesoureiro (a) e nenhum membro será
remunerado pelo cumprimento das suas funções e respectivas
atribuições, exceto em casos determinados pela sua Coordenação.
Colaborou
Ângela Genova Sanches
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