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Espiritualidade, apesar do cárcere

Trabalho das Irmãs Oblatas em conjunto com a Pastoral Carcerária da cidade de São Paulo ajuda presas a cuidar de sua espiritualidade.

Oblatas ajudam as mulheres encarceradas na Penitenciária de São Paulo, capital, a reagirem pró-ativamente ao sofrimento cotidiano, gerado não somente pela pena que estão cumprindo, mas sobretudo pelas más condições das instalações e o convívio com grupos violento e facções que atuam sistematicamente dentro desse presídio.
 
Segundo dados da instituição, as presas supostamente ligadas às facções criminosas pressionam as demais, especialmente as estrangeiras, a seguirem suas regras, impedindo-as de denunciarem a situação à carceragem ou a administração da Penitenciária. De acordo com relatos, essas pressões envolvem agressões físicas, morais e psicológicas. As estrangeiras que cumprem pena no Brasil são as mais atingidas por essa onda de violência. Segundo agentes penitenciários, “as gringas” apanham por não querem se submeter às ordens de quem está ligado às facções. “Elas apanham porque não querem esconder celulares nas celas, nem trazer facas da cozinha para as detentas do crime organizado”, explicou um agente.
 
 
É nesse cenário hostil e violento contra a mulher, que as irmãs Oblatas, em conjunto com a Pastoral Carcerária de São Paulo, estendem sua rede missionária. Segundo Ir. Sirley da Silva, coordenadora da assistência religiosa da Penitenciária Feminina da Capital, tem sido as próprias mulheres que buscam apoio espiritual para enfrentarem o dia-a-dia no presídio feminino.
 
Um exemplo disso, foi a celebração de 11 de outubro que antecipou o dia de Nossa Senhora Aparecida, que pela primeira vez aconteceu dentro do pavilhão.A comunidade que vem sendo alvo de espancamentos e outros tipos de violência reconhece e acolhe a presença de Jesus Eucarístico para alimentar sua fé e revigorar suas forças.
 
Segundo Ir. Sirley, são muitas as histórias de arrependimento por parte de mulheres que querem mudar de vida, porém a simples manifestação desse desejo as coloca numa onda contrária aos interesses do crime organizado, e elas passam a nadar contra a maré. “ O que dá força a essas mulheres é a Palavra de Deus, o amor à Eucaristia e a Devoção à Nossa Senhora”, explica Ir. Sirley.
 
Ainda de acordo com a Irmã, a celebração de Nossa Senhora Aparecida foi um momento forte de resgate e de identificação com a imagem da virgem que assim como as mulheres encarceradas também são expostas aos pedaços, sem que possam desenvolver uma identidade única, inteira. “ Hoje, nesse lugar, as mulheres também podem estar como a imagem de Aparecida, quebradas por dentro, num silêncio agressivo e violento”, completa
 
Para Ir Sirley, um sentido profundo de espiritualidade é fundamental dentro da penitenciária, para que as mulheres que lá se encontram busquem dentro do seu cotidiano, vencer a depressão e a morte , acreditando em si mesmas e mantendo firme a fé em Jesus Redentor. As Oblatas que trabalham com mulheres em situação de prostituição, foram convidadas a trabalhar dentro do presídio, por ali se encontrar também, entre outros desafios, a própria exploração sexual da mulher, muitas vezes em troca da própria sobrevivência.
 
(Fonte dos dados citados: Ag.Estado:14/10/2008)

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