
Serviço Telefônico ajuda mulheres a denunciarem a violência doméstica
O disque 180 é um serviço gratuito e mais uma ferramenta para a mulher tornar efetiva a Lei Maria da Penha.
Em 2007, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 204.978 atendimentos, que correspondem a 124.697 ligações – já que uma ligação pode gerar mais de um atendimento. O aumento de atendimentos foi de 306% em relação a 2006, quando foram realizados 50.444 atendimentos; enquanto o número de ligações cresceu, aproximadamente, 147% no mesmo período. Parte significativa deste aumento se deve à busca por informações sobre a Lei Maria da Penha – legislação que coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher, que saltou de 40 atendimentos/dia, em 2006, para 131 atendimentos/dia, em 2007. Melhorias tecnológicas e aperfeiçoamento do sistema também contribuíram para esse crescimento. Na maioria das denúncias/relatos de violência registradas no Ligue 180, as usuárias do serviço relatam sofrer agressões diariamente (61%). Em números absolutos, São Paulo foi o estado que mais entrou em contato com a Central, respondendo por 39% da demanda direcionada ao serviço. Em números proporcionais, o Distrito Federal assume a liderança quando se toma como base o número de ligações por 50 mil mulheres. Informações sobre a Lei Maria da Penha lideram atendimentos
A ampla divulgação da Lei Maria da Penha através dos meios de comunicação foi um dos fatores que mais contribuiu para o aumento da demanda à Central, em 2007, totalizando 47.975 atendimentos relativos à Lei. Mulheres de todo o país entraram em contato com o Ligue 180 para obter informações sobre seus direitos previstos na nova legislação. Além disso, as melhorias tecnológicas associadas ao aprimoramento e capacitação permanente das atendentes permitiram a ampliação dos atendimentos realizados. Por causa disso, uma ligação passou a gerar mais de uma informação e, conseqüentemente, mais de um encaminhamento. Perfil das usuárias do Ligue 180 A maior parte das mulheres que entrou em contato com o Ligue 180 tem entre 20 e 40 anos (67,8%), é casada (40,6%), negra (54,6%) e cursou parte ou todo o ensino fundamental (47,7%). Maioria sofre agressões diárias dos próprios companheiros. Enquanto a maioria relatou sofrer agressão diariamente (61%), outras disseram que as agressões ocorreram uma vez por semana (16%) ou uma vez por mês (5,3%). Há poucos casos nos quais a mulher procurou ajuda na primeira vez que ocorreu a violência (7,8%). Os agressores são, na sua maioria, os próprios companheiros (69,5%) que, muitas vezes, são usuários de drogas e/ou álcool (57% dos casos relatados). Tipo de atendimento confirma objetivo da Central
A maioria dos atendimentos (mais de 89%) consistiu no encaminhamento de mulheres em situação de violência para os serviços da Rede de Atendimento à Mulher (57%) e informações sobre os direitos da mulher (32%). Esses percentuais confirmam o principal objetivo pelo qual o Ligue 180 foi criado: mais do que captar denúncias, o foco é orientar e oferecer ajuda às mulheres em situação de violência. Entre os atendimentos classificados como encaminhamentos (117.436), as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs) e os Centros de Referência (espaços de acolhimento psicológico, social e jurídico) foram os mais procurados. As DEAM, hoje em número de 404 em todo o País, responderam por 79,8% dos encaminhamentos, enquanto os Centros, em número de 99, responderam por 9,1%. Em relação aos atendimentos classificados como informação (66.176), destacam-se as solicitações de informações sobre a Lei Maria da Penha (47.975) que representa 72% do total de orientações realizadas pela Central. Os 9,8% restantes são relativos à denúncias/relatos de violência (20.050) contra a mulher. Desses, cerca de 10,8 mil casos são de relatos envolvendo lesão corporal leve; 1,8 mil lesão corporal grave; 266 lesão corporal gravíssima; 211 tentativas de homicídio; 79 relatos de homicídios e 55 casos de negligência (omissão de socorro). Em segundo lugar, nesse item, destaca-se a violência psicológica (21,4%), com 3.879 casos de ameaça; 375 perseguições e 28 casos de assédio moral no trabalho. A violência moral (calúnia, difamação e injúria) vem em seguida com 9%, a violência sexual com 2,2%, o cárcere privado com 0,6% e a violência patrimonial com 0,8%. São Paulo é o estado campeão em ligações por números absolutos. São Paulo é o estado que lidera na procura pelos serviços da Central de Atendimento à Mulher, respondendo por 39% da demanda direcionada à Central. Em seguida vem o Rio de Janeiro com 9,6%; Minas Gerais, com 6,7%; e o Rio Grande do Sul, com 6,5%. Por outro lado, tomando como base o número de ligações por 50 mil mulheres, o Distrito Federal é a Unidade da Federação que mais entrou em contato com a Central de Atendimento à Mulher, respondendo por 47,3 ligações por 50 mil mulheres. Em seguida, vem o Estado de São Paulo (45,2), Goiás (35,9) e Tocantins (33,4). Tempo médio de atendimento garante escuta qualificada
Ao contrário de outras centrais, que têm como padrão de produtividade garantir atendimentos com tempo médio de 2,5 minutos, o Ligue 180 em função da natureza dos serviços prestados, tem um tempo de atendimento médio de 13 minutos (cinco vezes maior).É justamente esse tempo que garante uma escuta qualificada e a acolhida adequada de mulheres em situação de violência. Isso também faz com que uma ligação gere um ou mais atendimentos, pois é comum as mulheres entrarem em contato com a Central para relatarem casos de violência cometidas por seus agressores e, ao mesmo tempo, solicitarem orientações sobre onde buscar ajuda, e, ainda, obter informações sobre a Lei Maria da Penha. A criação da Central foi uma resposta da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres à demanda prevista no I Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (I PNPM) para a criação de um serviço que orientasse mulheres em situação de violência. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados. Com o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, lançado em agosto de 2007, o Governo Federal, assumiu a meta de 250 mil atendimentos por ano ou 1 milhão de atendimentos em quatro anos.
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