O que fazemos
Belo Horizonte/MG
Salvador/BA
Juazeiro/BA
Sto Amaro-São Paulo/SP
Centro Vocacional Oblata
Acompanhamento Vocacional
Depoimentos
Divulgação
Países
Sobre Padre Serra
Abertura do Bicentenário
No Brasil
Artigos
Pesquisas
VII Encontro -2009
VIII Encontro - 2010
IX Encontro - 2011
Tráfico de Pesssoas
Encontro da Rede
Unidades Oblatas
Capitulo Provincial
Projetos Mundo
Projetos Brasil
Diga NÃO à violência contra Mulher
Capacitação
Outros
Comunidades
Comemorações
Projetos Oblatas
Compartilhai
Jornal da Rede Pastoral Oblata
Pastoral da Mulher de Belo Horizonte - MG
Pastoral da Mulher de Juazeiro - BA
Economia Solidária
Tráfico de Seres Humanos
Prostituição
Violência Contra a Mulher
Jornal da Rede
Comunidade
Igreja do Brasil
Cidadania
Direitos Humanos
Gênero
Projetos Pastorais
Cultura
Igualdade

Produção Historiográfica da Prostituição no Brasil

A prostituição como fenômeno na sociedade brasileira é uma constante desde a Colônia.

Introdução

A prostituição como fenômeno na sociedade brasileira é uma constante desde a Colônia. Tem sido objeto de estudo das ciências sociais a partir da segunda metade do século XX, mas quanto à produção historiográfica existem poucas obras com o objeto da prostituição em destaque no Brasil. Um fato irrefutável da história, que geralmente fica esquecido da historiografia oficial por tratar-se de material marginal à história, é o de que a prostituição permeia todas as classes de uma sociedade, ela é uma determinante no cotidiano, e uma forma segura de analise dos excluídos da história.
Neste trabalho foram analisadas três diferentes produções. Uma refere-se ao cotidiano das prostitutas predominantemente na segunda metade do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. A segunda detém-se ao período dos anos trinta em São Paulo e por fim um artigo que analisa a prostituição em Porto Alegre nos anos 10. Neste trabalho procuramos analisar as capacidades e as conclusões dos diferentes autores sobre estas três diferentes cidades em três períodos da história deste país.
A primeira imagem que se cria sobre o tema: Prostituição no Brasil; é algo que ocupa nosso imaginário com cenas típicas da cidade do Rio de Janeiro, no bairro boêmio da Lapa com mulheres vagando entre as noites em vestidos curtos e colares de colo no início do século XX. Invade-nos também a imagem das chinas gaúchas e das mulheres do nordeste. Mas os trabalhos sobre prostituição no país são poucos, porém lúcidos.
Cabe salientar que a maioria dos trabalhos sobre prostituição decorre da Sociologia, apoiados na obra de Michel Foucault e seus clássicos sobre sexualidade. Trabalhos de História sobre o tema são mais raros e merecedores de especial atenção.
 
 
Análise Historiográfica

Nossa abordagem inicia no trabalho de Margareth Rago. Em seu livro Os Prazeres da Noite a autora discorre na noite paulista do final do século XIX até a década de 30. A autora reconstrói o cenário da época e transporta uma série de fatos relacionados a cultura e cotidiano para o ponto central: a existência da prostituta. Igualmente o trabalho de Cláudio Elmir que se detém basicamente em analisar o jornal O Independente no primeiro decênio do último século e constatar a pressão dos positivistas e tradicionalistas sobre a existência da prostituta em Porto Alegre. Já referente ao trabalho de Luiz Carlos Soares é resultado de uma analise de determinadas circunstancias dispensando toda e qualquer sentimentalidade convencional, o autor trabalha na necessidade que se encontrava na época da construção e legalização do trabalho da prostituição, principalmente quanto a higiene.
São três retratos diferentes de um mesmo cenário.
Quanto a prostituição como um trabalho os autores divergem. A fonte de pesquisa para o trabalho gaúcho foi o jornal O Independente, um protetorado de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, um jornal de opinião radical e moralizador. Onde a prostituição aparece como um crime, e jamais como um trabalho. Na opinião de Magali Engels, embora a prostituição é sempre justaposta a ociosidade ela é de um ponto de vista médico uma profissão. O autor declara que se fazia a diferença entre a prostituição permitida (geralmente dentro de casas de tolerância) e a escandalosa (quando vista sob o céu).
A colaboração de Magali Engels é igualmente registrada nas outras duas obras. E igualmente nota-se a recorrência a clássicos como Foucault e a sua História da Sexualidade na tentativa de justificar a prostituição. Essa parece, aliás, sem dúvida a tarefa mais infrutífera para a historiografia. Os autores discorrem muito sobre a origem da prostituição, enquanto o autor gaúcho apenas apresenta que a opinião de época era relativa sempre ao vício, ao ócio, e a vadiagem. No caso da obra sobre o Rio de Janeiro percebe-se existir um distanciamento do paradigma tradicional, tomando por base a analise das fontes, dentre outras tantas coisas. O autor não deixa que as mesmas discorram-se em monólogos inférteis. Tece uma trama de conceitos variados estabelecendo definições e interpretações relativos ao tema sem aprofundar-se na matéria da origem do fato social, e apenas citando as teses médicas onde a prostituição fulgura como um mal necessário ao homem, ajustando sua pesquisa a uma história do cotidiano, priorizando a mentalidade apregoada no que tange ao aumento do meretrício. O tema central da discussão é a prostituição no final do século XIX na cidade do Rio de Janeiro. Porém em decorrência deste tema central, várias confluências (pertinentes) entram no debate. O autor toma como estrutura totalizante do texto a tentativa de estabelecimento de uma política sexual. Define como eixo de sua exposição o conceito de prostituição, tentando delimitar os caminhos que levam, ao contraponto entre prostituição pública e prostituição clandestina.
Este autor (Elmir), de um modo geral, trabalha com recenseamentos, passando por relatórios policiais, utilizando-se até de teses acadêmicas, na tentativa de demonstrar como as pessoas pensavam ou imaginavam a questão da prostituição. Analisa as maneiras e as soluções dadas a este problema, que segundo alguns era o verdadeiro “flagelo da saúde pública”. Os recenseamentos são utilizados pelo autor para sustentar a tese da desproporção sexual existente na cidade do Rio de Janeiro. Afirma, porém, que este desequilibro não foi o responsável direto pelo crescimento desordenado da prostituição. O responsável mais direto (o que hoje é atualíssimo) foi a situação de miséria, no qual as pessoas vivem sobre o fio da navalha, como eram acometidas as mulheres frente a um número de homens, que até então, era superior.
Já no livro Os Prazeres da Noite a autora não deixa de recorrer ao glamour que a prostituição evoca, e cria toda esta atmosfera de luxo para na segunda parte trazer à luz fatos mais realistas e menos ofuscantes. A estreita relação da prostituição com o crime e a ilegalidade. As criações de uma subsociedade paralelas ao redor de um bordel são os objetos de pesquisa apresentados por Rago. Essa composição resulta em uma obra construída com fortes impressões de realidade e com detalhes pitorescos e eróticos do cotidiano destas mulheres. Aliás, mesmo sendo as três obras relativas a prostituição outros temas parecem estreitamente interligados, como o crime e o homossexual. No entanto a posição da mulher fica sem uma definição conclusiva. Oras aparecem como uma prostituta dona de um bordel e senhora do seu mundo e outrora como uma submissa dos cáftens.
Rago chega mesmo a deter-se em personalidades da vida marginal como Elisa, Olga, Margarida e Nenê Romano.
Um comentário crítico, aos trabalhos dos autores seria a forma de como se deu a abordagem do tema: prostituição. Uma outra possibilidade de análise da prostituição, descartando o embate entre prostituição pública e clandestina ou sobre declarações de uma classe, seria partir para uma reflexão um pouco mais complexa, como por exemplo, articular o significado de prostituir-se no final do século XIX e o significado de prostituir-se hoje, em plena era contemporânea. Com toda a certeza, constatar-se-ia uma enorme diferença de significado. Não obstante, cairíamos em tentação de declarar apenas que a história se repete ao longo dos tempos, levando-nos a acreditar que a perspectiva para tempos vindouros não seria muito diferente. Incorreríamos em erro ao afirmarmos que a história se repete. Embora o fato seja o mesmo (prostituição), a significação é diferente.
Uma das reflexões atribui à emergência de uma nova ordem industrial capitalista e na desestruturação da sociedade escravocrata a necessidade de zona de meretrício higiênica.
O trabalho de Luiz Carlos Soares direciona-se no sentido de mostrar como eram abordadas as dimensões da vida cultural e corriqueira da sociedade carioca no final do século XIX. O tempo em que se fez presente o objeto da pesquisa do autor é dispare, em um momento de transição extremamente importante. As bases em que eram postas todo um modo de produção começavam a ruir. O mesmo pode ser analisado no texto de Elmir, onde as declarações de uma tendência positivista bradam na sociedade gaúcha, mas não são as únicas.
 
 
Conclusão

A prostituição na historiografia brasileira aparece em segundo plano a uma série de imaginários e comportamentos de época. A preocupação do objeto não revela o seu sentido, nem sua origem, apenas apontam para conclusões e idéias a respeito da prostituição. Nota-se a irremediável existência do fenômeno como algo marginal à sociedade, em certos casos até mesmo influente a ela, mas que não revela uma representação maior do que a zona marginal em que habita. Parece que a historiografia da prostituição no Brasil ficou na posição de espectadora, de simples observadora dos fatos e correlatados. Essa imagem é apenas quebrada pelos capítulos finais da obra de Margareth Rago, e ainda assim nos parece pouco, frente a que a prostituição pode ter significado a todo o país.
Não é uma supervalorização a esta prática predominantemente feminina, mas a constatação que em três diferentes grandes cidades a prostituição revelou impressões e reações, e certamente ela poderia ser encontrada em qualquer lugar do Brasil. Solucionar questões como estas é algo que nos parece servir de orientação à historiografia.
 
 
Bibliografia
 
  • RAGO, Margareth. Os Prazeres da Noite. Rio de Janeiro/RJ: Paz e Terra, 1991. 
  •  ELMIR, Cláudio Pereira. Imagens da Prostituição na Porto Alegre dos Anos Dez. O Dsicurso d’O Independente. In Porto Alegre na Virada do Século 19, Cultura e Sociedade. Porto Alegre/RS: Ed. Universitária/UFRGS, ULBRA e UNISINOS, 1994. pp. 82-98. 
  • SOARES, Luiz Carlos. Rameiras, Ilhoas, Polacas... A Prostituição no Rio de Janeiro no Século XIX. São Paulo/SP: Ática, 1992.

Voltar 


agosto 2014
 DSTQQSS
S     12
S3456789
S10111213141516
S17181920212223
S24252627282930
S31      









 

Busca:
 

Na sua opinião, por que a mulher que sofre violência nem sempre denuncia?
Porque não acredita na punição do agressor.
Porque tem medo de retaliação.
Porque acredita que o agressor vai mudar.
Porque não sabe como denunciar.
Porque sente cosntrangimento.

 
 

 


Home . Apresentação . Histórico . Mística . Missão . Cadastre-se . Localização . Links . Trabalhe Conosco . Contato
Copyright 2006 – Instituto das Irmãs Oblatas do SSmo Redentor - Todos os Direitos Reservados
fale conosco: info@oblatas.org.br Tel: 11 2673-9069